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Há 48 mil esquizofrénicos, 16% sem acompanhamento médico

Os custos da doença, na sua maioria associados ao impacto que esta tem na vida profissional de doentes e dos seus cuidadores, chegam aos 436,3 milhões de euros por ano. São estimativas de um estudo de investigadores sobre a situação no país.


Em Portugal, há cerca de 48 mil doentes com esquizofrenia, mas destes estima-se que perto de oito mil não sejam acompanhados com regularidade num sistema de saúde, seja ele público ou privado. As estimativas constam do estudo O custo e a carga da esquizofrenia em Portugal.

Apesar de afectar uma pequena percentagem da população (0,57%), esta doença custa ao Estado e aos privados — famílias e empresas —, 436,3 milhões de euros por ano, refere ainda o trabalho publicado em Novembro no International Journal of Clinical Neurosciences and Mental Health, revista organizada pelo departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

O trabalho, assinado por seis investigadores do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e do Centro de Estudos Aplicados da Catolica Lisbon School of Business and Economics, nota que até agora existia pouca informação sobre o tema. Não se conhecia a prevalência, tão-pouco os custos ou impacto socioeconómico de uma doença crónica que provoca perturbações psicóticas nos doentes que afectam a sua capacidade de trabalhar, de viver de forma independente e de cuidar de si próprios. 

Em Portugal, há cerca de 48 mil doentes com esquizofrenia, mas destes estima-se que perto de oito mil não sejam acompanhados com regularidade num sistema de saúde, seja ele público ou privado. As estimativas constam do estudo O custo e a carga da esquizofrenia em Portugal.

Apesar de afectar uma pequena percentagem da população (0,57%), esta doença custa ao Estado e aos privados — famílias e empresas —, 436,3 milhões de euros por ano, refere ainda o trabalho publicado em Novembro no International Journal of Clinical Neurosciences and Mental Health, revista organizada pelo departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

O trabalho, assinado por seis investigadores do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e do Centro de Estudos Aplicados da Catolica Lisbon School of Business and Economics, nota que até agora existia pouca informação sobre o tema. Não se conhecia a prevalência, tão-pouco os custos ou impacto socioeconómico de uma doença crónica que provoca perturbações psicóticas nos doentes que afectam a sua capacidade de trabalhar, de viver de forma independente e de cuidar de si próprios.

Idades jovens

A esquizofrenia tende a manifesta-se em idade jovem. Os doentes raramente recuperam por completo, o que acarreta um “impacto significativo” no “trabalho, educação, relações interpessoais, capacidade de viver de forma independente e prestar autocuidados”. Dessa incapacidade resultam os chamados “custos indirectos” da doença — calculados em cerca de 340 milhões de euros por ano —, a grande parte associados ao absentismo, não participação no mercado de trabalho e produtividade reduzida dos doentes.

O impacto na vida dos cuidadores, incluindo igualmente nesta estimativa, também é elevado. Calcula-se que os custos das deslocações para acompanhar familiares doentes, ou da necessidade de reduzir o horário de trabalho para fazer esse acompanhamento, por exemplo, possam atingir os 9,3 milhões de euros.

“Este resultado é muito diferente do habitualmente estimado para outras doenças”, notam os autores, uma vez que os custos indirectos representam 78% dos custos totais da mesma. Noutras doenças, esse valor “é quase sempre minoritário”.

Só em terapêuticas antipsicóticas são gastos, por ano, quase 43,4 milhões de euros. Os internamentos de doentes agudos significaram uma despesa de mais de 11,6 milhões de euros, a que se juntam os quase 21,5 milhões para internamento de doentes crónicos. Tudo somado, a esquizofrenia tem um custo anual de mais de 436,3 milhões de euros (0,24% do PIB e 2,7% da despesa em saúde naquele ano), aponta o relatório.

Os autores utilizaram ainda métricas para quantificar o impacto da esquizofrenia nos anos de vida saudável (a carga da doença). Estimam que em 2015 “se tenham perdido 24.547 anos de vida saudável por incapacidade por esquizofrenia”. E que as 403 mortes associadas à esquizofrenia nesse ano representam 4041 anos “perdidos por morte prematura”.


“Parente pobre”

Apesar de se saber que a esquizofrenia é uma “importante causa de incapacidade e consumo de recursos económicos”, classificada como a 11.ª causa mais importante de carga da doença a nível mundial, desconheciam-se dados socioeconómicos pormenorizados da realidade portuguesa, sublinham. Mesmo no campo estritamente médico, a falta de dados é clara. Um exemplo: por não existir um estudo sobre a prevalência da doença em Portugal, os investigadores tiveram de estimá-la tendo em conta o consumo de antipsicóticos, no continente, em 2015. Os cálculos consideram, entre outras variáveis, a proporção de doentes que estão medicados com mais do que um fármaco e os que não aderem à terapêutica antipsicótica, recorrendo ao conhecimento de um perito, o psiquiatra Pedro Levy do Centro Hospitalar Lisboa Norte.

A partir dos dados apresentados por Pedro Levy, é possível tirar outras ilações que caracterizam a patologia em Portugal. Segundo a caracterização feita pelo psiquiatra, os doentes acompanhados pelos serviços de saúde têm em média três consultas por ano, quase 15% têm um cuidador empregado e 75% fazem tratamento com antipsicóticos. O relatório indica ainda que 70% dos doentes que recorrem ao serviço de urgência de psiquiatria por esquizofrenia não ficam internados.

A dificuldade de acesso a informação e, por vezes, a total falta de informação, levou os autores a considerar que a “esquizofrenia, como provavelmente acontece com outras áreas da saúde mental, é um parente pobre no que aos sistemas de informação de saúde diz respeito”.

Apesar disso, os investigadores acreditam que em doenças como esta as “melhorias no conhecimento podem ser extremamente relevantes para a gestão do sistema de saúde e para se conseguir melhorar políticas e optimizar a utilização de recursos”. Acrescentam que, “numa patologia com uma dimensão humana tão saliente”, não é de descurar o “potencial elevado” de melhorias “na saúde de um conjunto de portugueses”.


Adaptado de https://www.publico.pt/


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